Com investimentos programados de até R$ 6 milhões em 2010, algumas companhias esperam dobrar o faturamento com o lançamento de produtos como antimicrobianos baseados em prata, pinos de fibra de vidro para uso odontológico e novas tecnologias para a regeneração de ossos e tecidos. “Já exportamos para mais de 60 países”, diz Roberto Alcântara, presidente da Angelus, de Londrina (PR), que espera faturar R$ 60 milhões em 2013.
A Nanox, empresa de São Carlos (SP), especializada em nanotecnologia, desenvolveu um antimicrobiano natural, à base de prata, e conquistou clientes na área da saúde. “O NanoxClean pode ser inserido durante a manufatura dos produtos ou com o item já acabado, como um recobrimento”, explica Luis Gustavo Simões, presidente da Nanox. O composto cria uma barreira de proteção e promete evitar a formação de fungos e bactérias na superfície de plásticos, metais, madeira, tintas e tecidos.
Na Angelus, indústria de produtos odontológicos com 60 funcionários, os carros-chefes são pinos de fibra de vidro e de carbono, além de cimentos reparadores. As unidades de fibra, usadas para substituir pinos metálicos, são colocadas dentro das raízes dos dentes para suportar próteses. “Além de resistentes, os dispositivos são flexíveis e acompanham o movimento do dente, o que evita a fratura da raiz”, explica o dentista Roberto Alcântara, presidente da Angelus, que já exporta a mercadoria para 65 países.
Fundada em 1994, a Angelus faturou R$ 10,3 milhões em 2009 e pretende alcançar R$ 13,1 milhões em 2010. São esperados investimentos de R$ 2 milhões em marketing e vendas, além de R$ 4 milhões em pesquisa e desenvolvimento, provenientes de recursos próprios e de entidades ligadas ao governo. “Depois de 14 anos de investimentos em ciência e tecnologia, vamos aplicar em vendas e marketing.” O objetivo é chegar aos R$ 60 milhões de faturamento até 2013.
Para alcançar essa meta, Alcântara quer diversificar produtos com a ajuda de núcleos de pesquisas de universidades e comprar uma empresa odontológica americana para facilitar a entrada dos produtos nos EUA – o país detém 35% do mercado mundial de itens odontológicos, contra uma participação de 2% do Brasil. “Estamos negociando o apoio do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), fundamental para fechar o projeto.”
Na Viotti, a briga por contratos acontece na área de produtos eletromédicos. Criada em 1982, a empresa desenvolve sistemas de diagnóstico de urodinâmica e manometria esofágica e anorretal. “As medições de pressão esofágica, anorretal, da bexiga e da uretra são fundamentais para o diagnóstico de disfunções da micção, como a incontinência urinária e fecal”, explica a diretora Claudia Lemme.
Com dez funcionários, a maioria voltada para o desenvolvimento de novos produtos, a Viotti conquistou clientes como o Hospital do Coração, o Hospital São Luiz e a Associação de Assistência à Criança Deficiente (AACD).
Este ano, a Bioactive, empresa que pesquisa tecnologias para a regeneração de ossos e tecidos, deve aplicar mais de R$ 5 milhões na montagem do negócio e na compra de equipamentos. Com dois funcionários e seis bolsistas, está sediada no Centro Incubador de Empresas Tecnológicas de São Paulo (Cietec). O centro é considerado o maior incubador de empresas da América Latina. Tem mais de 100 empreendimentos incubados, que registraram receita de R$ 42 milhões e empregam mais de 700 profissionais especializados.
Fonte: Valor Econômico 03/03/2010
Imagem: Sergio Zacchi/Valor