Aug 3rd
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De patinho feio a PR digital

by Daniel Agrela

*Daniel Agrela

Se o jornalismo está mesmo morrendo, o que se pode dizer das atividades ligadas a ele? Estaríamos prestes a presenciar um efeito dominó que, com o fim do impresso, aos poucos acabaria com as gráficas, empresas de celulose e inviabilizaria a existência da banca de jornal na esquina de casa?

É difícil prever o que vai acontecer com os setores que dependem da produção jornalística, mas não há como negar que a crise da imprensa já está mudando a maneira de trabalho de muita gente, principalmente do profissional que até pouco tempo era considerado o patinho feio da comunicação. Esse cara é o assessor de imprensa.

Ainda hoje sinto que muita gente tem dúvida sobre o que faz um assessor de imprensa. Há algumas semanas estava com um grupo de amigos quando um conhecido, estudante de jornalismo, puxou conversa.

- Soube que você é jornalista. Trabalha onde?

- Numa agência de comunicação. Sou assessor, respondi.

O colega levantou a sobrancelha e disparou:

- Hum, você faz release…

- Isso mesmo, respondi para não alongar a conversa.

Talvez a atitude correta fosse explicar pedagogicamente quais são as atividades diárias desse profissional. Afinal, o garoto é só um estudante, está aprendendo, precisa saber que o trabalho de um assessor vai muito além de atividades corriqueiras como produzir release e fazer follow-up. Podia ter dito tudo isso, mas não o fiz.

Como explicar a alguém que cursa Jornalismo que a profissão que ele escolheu está sendo ultrapassada por um bando de blogueiros e tuiteiros? Pois é isso que acontece. Aos poucos, a existência de um intermediário da notícia deixa de ser necessária com a popularização das redes sociais e o crescente número de pessoas conectadas. Hoje já se sabe aonde encontrar informações. Elas estão nos blogs, nas comunidades do Orkut, Facebook, LinkedIn e no Twitter.

Essas novidades estão mudando não só a forma de se fazer jornalismo, mas também a forma de se fazer assessoria de imprensa. Agora, em vez de passar o dia pendurado no telefone, fazendo contato com o jornalista, o assessor 2.0 (ou PR Digital) entra de vez na blogosfera e outras redes, interagindo diretamente com o público final. Portanto, se você ainda não se atentou para as mudanças que estão ocorrendo na área de assessoria de imprensa, vale um alerta: não se enferruje junto com o jornalismo.

* Daniel Agrela é  jornalista e atua como PR Digital na Cia da Informação.

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Jun 22nd
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Crise põe em dúvida o futuro do jornalismo

by Daniel Agrela

Por Redação da Cia

editorial_firstFim do diploma, fim da Gazeta Mercantil, fim da Revista da Semana e da TV Ideal. Tudo isso em duas semanas. Não se pode dizer que fomos pegos de surpresa, mas acontecimentos tão concretos como esses tornam inegável a crise enfrentada pelos meios de comunicação.

Nem mesmo os cortes de pessoal, intensificados ao longo da última década, possibilitaram uma recuperação dos veículos. O advento da Internet e a agilidade das informações na Web atingiram em cheio o faturamento das empresas de mídia, especialmente jornais e revistas. Muitos deles, prevendo o pior, recorrem a campanhas publicitárias a fim de abocanhar assinantes.

Atualmente, os maiores impressos de São Paulo prepararam uma série de propagandas no horário nobre da TV. A Folha convocou seus principais jornalistas para participar dos comerciais, já o Estadão faz a seguinte pergunta: “quanto vale o seu conhecimento?”. Ambos tentam valorizar seus produtos, oferecendo conteúdo exclusivo e mais aprofundado.

O fato é que os veículos de comunicação estão perdidos. Os jornais, que antes ofereciam o hardnews, hoje tentam proporcionar uma análise sobre os principais fatos dentre a enorme quantidade de informações que invadem nosso dia-a-dia. As revistas investem cada vez mais em reportagens investigativas. E a Internet faz de tudo: podcast, vídeo e texto informativo e reflexivo. Então pode-se dizer que a Web vai ser o centro do conhecimento?

Tudo indica que sim. O jornalismo passa por um momento de transição, em que os veículos tentam se adequar à nova realidade digital. A Internet caminha para abranger todas as áreas das nossas vidas e isso inclui a forma com que nos informamos. Dizer que todos os outros meios de comunicação vão desaparecer não parece razoável. Mas eles precisarão se reiventar, caso contrário o fim será inevitável.

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