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Com 8 milhões de alunos pelo mundo, Livemocha, especializada em línguas, quer ampliar presença no Brasil.
Site, que propõe o ensino gratuito de 35 idiomas, promove a interação para ensinar idiomas estrangeiros.

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O estudante Bruno Tadeu, 23, morador de Arcoverde, sertão pernambucano, percorre todos os dias cerca de 240 quilômetros para ir e voltar do campus de Caruaru da Universidade Federal de Pernambuco, onde cursa a faculdade de economia.

Cerca de nove horas depois de sair de casa, a jornada ainda não terminou. Tadeu dedica parte do pouco tempo livre para estudar japonês e russo. Ao contrário do curso de economia, porém, o estudante não precisa sair da cidade. Tudo o que precisa está no computador.

Tadeu é um dos quase 3 milhões de brasileiros que optaram pelo ensino virtual de idiomas na rede social Livemocha, site que propõe o ensino de 35 idiomas por meio de expressões, fotos, vídeos e promove a interação entre falantes nativos numa espécie de ensino interativo.

Criado há três anos nos EUA, o portal -que já tem quase 30% de sua base de usuários composta de brasileiros que o conheceram principalmente pelo boca a boca virtual- quer aumentar a participação no país.

Hoje são quase 40 milhões de brasileiros que acessam redes sociais como Orkut, Facebook e Twitter.
“Identificamos no Brasil uma das maiores oportunidades de negócio”, afirma Michael Schutzler, presidente da companhia.

Embora ofereça serviços gratuitos, em que é possível aprender elementos básicos dos idiomas, o portal aposta no crescimento das vendas dos módulos pagos -que custam R$ 40 por mês.

Uma das táticas para ampliar a visibilidade do portal envolve a parceria com companhias locais para ensino, principalmente, de idiomas como espanhol e inglês.

Uma dessas parcerias já foi firmada com a Telefônica e oferecerá descontos para clientes Speedy. Outra ação é o trabalho com o Sebrae em Santa Catarina, que prevê a distribuição de acessos ao conteúdo pago do Livemocha para 25 estudantes por dois meses.

INVESTIMENTOS

Por trás da operação mundial do Livemocha estão fundos de investimento que já garantiram US$ 14 milhões em aportes ao portal, entre eles o Maveron Funds, cocriado pelo presidente da Starbucks, Howard Shultz.
O Livemocha não é o primeiro no ensino on-line de idiomas – existem pelo menos seis outros portais.
Segundo especialistas, apesar da inclinação dos brasileiros por redes, um desafio será conquistar o usuário para esse tipo de aprendizado on-line, que, diferentemente de outros países, só agora começa a se popularizar.

POR DENTRO DO LIVEMOCHA

O QUE É: Portal de ensino de idiomas com base no modelo de redes sociais, em que usuários corrigem exercícios de outros membros da comunidade on-line.

FUNDAÇÃO: 2007, Seattle

CURSOS OFERECIDOS: 35 idiomas, entre eles: inglês, espanhol, português, francês, italiano, mandarim, japonês, coreano, hebraico árabe e russo.

USUÁRIOS: 8 milhões no mundo, 3 milhões no Brasil.

SÓCIOS: Fundo August Capital e Maveron Funds, que totalizaram aporte de U$ 14 milhões.

FATURAMENTO: Não revelado.

SITE OFERECE OPORTUNIDADE A PROFESSORES

Dos 8 milhões de usuários que participam do Livemocha, 300 mil foram recrutados como professores. Como o portal é baseado no relacionamento e troca de informações, qualquer aluno pode corrigir outro membro da rede que quer aprender sua língua nativa.

Nesse contexto, os brasileiros que estão no Livemocha para aprender inglês, por exemplo, podem corrigir exercícios escritos ou orais – gravados no próprio portal – de estrangeiros aprendendo português.

“As pessoas naturalmente acabam corrigindo exercícios de quem quer aprender sua língua nativa pela própria vontade de compartilhar”, diz Michael Schultz, presidente da companhia.

Segundo especialistas, no entanto, há riscos de adotar apenas ferramentas de interação entre os participantes, como o bate-papo virtual.

E, sem o auxílio de um professor, existe a possibilidade de o internauta não aprender corretamente a gramática, por exemplo. Para evitar isso, o Livemocha criou uma base de tutores on-line para os que fazem cursos pagos.

A seleção é feita dentro da própria plataforma e os estudantes que tiverem melhor desempenho na correção de exercícios em sua língua nativa podem ser contratados mediante pagamento de salário.

Isso foi o que aconteceu com o paulistano Rodrigo Veiga, 30, que já atuava como professor de inglês. No site, Veiga ganha, em média, de US$ 300 a US$ 400 (R$499 a R$666) pelo trabalho de tutor.

Visite: www.livemocha.com

fonte: Folha de São Paulo