No início de outubro, três empreendedores gaúchos fizeram as malas para os Estados Unidos para participar de uma importante iniciativa de oferecimento de bolsas pelo governo norte-americano: o Programa de Bolsas de Estudos Profissionais da Iniciativa Jovens Líderes das Américas (YLAI, Young Leaders of the Americas Initiative, em inglês).

Por cinco semanas, eles estiveram em empresas dos Estados Unidos similares aos empreendimentos aos quais estão envolvidos, visitaram startups e conheceram universidades, além de receber monitoria focada nas necessidades dos seus negócios.

Agora, de volta ao Rio Grande do Sul, trazem ensinamentos que podem inspirar startups e pequenas empresas a superar problemas e a buscar oportunidades com as ferramentas mais modernas usadas no Exterior. Veja quem são e as dicas que eles dão para você levar para a sua empresa:

Quem são os jovens

Rafael Perez / Arquivo Pessoal

Rafael PerezRafael Perez / Arquivo Pessoal

Rafael Perez, Fundador da Point Facilitação Criativa. Ficou em uma agência de publicidade em Pittsburgh, Pensilvânia, focada no Terceiro Setor.

 Arquivo Pessoal / Arquivo Pessoal
Maira PeresArquivo Pessoal / Arquivo Pessoal

Maira Peres, fundadora e CEO da Diosa Mão de Obra Feminina. Ficou em uma organização sem fins lucrativos em Pittsburgh, Pensilvânia.

 Tadeu Vilani / Agencia RBS
Luana SantosTadeu Vilani / Agencia RBS

Luana Santos, cofundadora da Ethos Intelligence. Esteve em Charlotte, na Carolina do Norte, onde conheceu startups, universidades e outras organizações.

Tenha foco no resultado

– Seja mais pragmático no processo de tomada de decisão. Ao contrário da muitas empresas brasileiras, onde há um debate extenso e prazos longos para resolver questões na companhia, nos Estados Unidos, se procura resolver rapidamente os desafios que surgem, em um processo que traça diagnósticos, busca ferramentas e ataca a raiz dos problemas.

-Para valorizar o tempo, as reuniões em agências de publicidade, por exemplo, têm hora para começar e terminar. Todos os participantes vão imediatamente ao que realmente importa, sempre em busca da solução. É raro o clima de descontração que precede as reuniões corporativas, tão comum no Brasil.

– Esse pragmatismo é visto como fundamental para o processo de criação e lançamento de produtos no mercado. Procure trazer métodos que acelerem o processo decisório em seu negócio, além de estabelecer prazos e objetivos em todas etapas do processo.

– O pragmatismo e o foco no resultado ficam nítidos também nas apresentações das startups em busca de investidores em grandes eventos (as rodadas de pitch – ferramenta usada pelos empreendedores para vender o projeto da sua empresa para potenciais investidores). Os empreendedores norte-americanos chegam mais preparados, com uma visão efetiva de negócios, expondo os pontos que os investidores realmente querem saber. Procure assistir essas apresentações no YouTube e veja o que adaptar na sua próxima pitch.

Estabeleça parcerias

– O termo parceria é levado muito a sério nos Estados Unidos. Há uma cultura em prol da tese de que, unidas, empresas, universidades, ONGs e governos podem prosperar mais rápido se trabalharem juntos. Por isso, procure envolver sua comunidade em seus projetos, com objetivos que possam beneficiar a todos.

– Ao contrário do que costuma ocorrer no Brasil, as grandes empresas norte-americanas abrem as portas para startups que busquem apoio para pesquisa ou parceria comercial. A troca de conhecimento é apontada como fundamental para acelerar jovens empresas e para manter as mais tradicionais competitivas.

– Em Charlotte, por exemplo, um dos principais mercados financeiros do país, a efervescência das fintechs (empresas de tecnologia que atuam no setor financeiro, como bancos digitais) ocorreu porque trabalharam ao lado de instituições tradicionais. E você, já pensou em marcar uma reunião com uma grande companhia de seu setor para conversar sobre parceria?

– Agências governamentais, em vez de trazer burocracia, costumam ajudar as empresas em seu desenvolvimento, mediando parcerias com organizações não governamentais (ONGs) e universidades, viabilizando rodadas de negócios e bolsas de formação.

Corra pelo lucro

– Não tenha vergonha do lucro. Pelo contrário: ter ambição ajuda empresas a lançarem produtos melhores para a sociedade e gerar empregos. Ao contrário de uma sensação predominante no Brasil, ganhar dinheiro não é visto com antipatia nos Estados Unidos. É admirável.

– A preparação para o novo negócio é rápida nos Estados Unidos, e a empresa rapidamente se apresenta no mercado para buscar investidores e tentar se capitalizar. Esse processo é mais lento no Brasil, por falta de incentivos e pouco faro de negócios de alguns empreendedores.

– A pressa dos norte-americanos em buscar o lucro se reflete na agilidade em lançar novos produtos. O tempo entre desenvolvimento, teste, coleta de feedback e lançamento é muito rápido e isso ajuda a capitalizar as novas empresas. Portanto, tenha objetivos de curto prazo para seu novo negócio.

– Também é mais forte nos Estados Unidos a crença de que empresas que atuam em prol de causas sociais, como inclusão digital e empregabilidade de mulheres em setores predominantemente masculinos, devem, sim, buscar o lucro, e não depender de doações ou fundos públicos. Fique atento: olhar as oportunidades no campo social pode abrir um novo leque de negócios para sua empresa.

Por: Erik Farina