Leo Pinheiro/ValorSÃO PAULO – A Embraer afirmou na noite desta quarta-feira que uma eventual combinação de negócios com a americana Boeing deve preservar, “antes de mais nada”, os interesses estratégicos da segurança nacional. Além disso, a empresa disse que a negociação deve “respeitar incondicionalmente” as restrições decorrentes da ação de classe especial (“golden share”) detidas pelo governo brasileiro — por meio da qual é possível vetar, por exemplo, uma tentativa de aquisição do controle da empresa.

Em comunicado enviado à Comissão de Valores Mobiliários (CVM), a fabricante brasileira de aeronaves destacou que, no momento, não possui elementos para manifestar-se sobre as atuais intenções da Boeing ou a estrutura que uma potencial combinação de negócios entre as empresas poderia vir a adotar.

“A administração da Embraer tomou, como sempre tem feito, boa nota das manifestações públicas do governo brasileiro e seguirá em conformidade com elas em quaisquer futuros entendimentos”, afirmou a companhia.

A manifestação da empresa brasileira ocorreu em resposta a questionamentos da CVM quanto a notícia publicada pelo jornal “Folha de S. Paulo”, repercutindo a possível fusão entre as companhias. Em 21 de dezembro, Embraer e Boeing confirmaram que estavam em tratativas em relação a uma potencial combinação de seus negócios, em bases que ainda estavam em discussão.

 

Por Victor Aguiar | Valor