Não é de hoje que os brasileiros tentam introduzir nossas guloseimas em terras estrangeiras, mais de uns tempos para cá, esses produtos têm chegado mais bem embalados.

Pastéis, coxinhas e massas estão entre os produtos preferidos dos brasileiros que moram nos EUA.(Foto-Pulsar)

Se os americanos não inventaram o Fast Food, eles com certeza aprimoraram e espalharam suas marcas e produtos pelos quatro cantos do mundo. Não importa em que país você esteja, basta olhar para o lado e você vai certamente encontrar a filial de alguma grande rede americana de comida rápida “Fast Food”.

Eles apenas seguiram a demanda de um mundo moderno, que buscava por agilidade no preparo e no consumo. Logo esses locais onde as refeições são preparadas e vendidas rapidamente, tomaram o espaço dos restaurantes tradicionais.

Dezenas de marcas de fast food estão espalhadas pela américa e por quase todo o mundo. (Imagem-Ilustração)

Mas de uns tempos pra cá, esse mercado que parecia só ter espaço para hamburgers e pizzas, começou a ganhar novos sabores. O maior e mais recente exemplo é o da rede de comida “Mexicana” Chipoltle, que conseguiu incluir o arroz e feijão no cardápio das fast foods americanas.

Existem centenas de restaurantes brasileiros espalhados pela América, praticamente cada cidade grande tem no mínimo um restaurante pronto para atender uma comunidade que não vive sem sua picanha, arroz e feijão. E não é de hoje que os brasileiros tentam trazer para os Estados Unidos um pouco de tudo o que mais gostamos de comer, principalmente nossos tradicionais salgadinhos.

Mas como entrar em um mercado dominado por gigantes como McDonald’s e a recente Chick-fil-A, sabendo que muitos brasileiros já tentaram e falharam?

Fugindo da recente crise no Brasil, uma diferente geração de brasileiros têm escolhido os Estados Unidos como sua nova casa, são empresários bem sucedidos e profissionais altamente gabaritados, que decidiram se estabelecer na América, trazendo conhecimento e capital para criar negócios de alto nível, prontos para brigar por esse mercado altamente competitivo.

Para seguir o padrão as coxinhas também são vendidas em “Combos”, acompanham batatas e refrigerante, que pode ser um guaraná. (Foto-ChickenBites)

Foi o caso do publicitário Wagner Zaratin, dono da rede Chicken Bites, que em 2015 veio com a família para os EUA e logo em 2016 começou com uma pequena fábrica de coxinhas congeladas. Hoje já contam com uma loja em Orlando, um quiosque no Florida Mall e o Food-Truck, que além de vender, ajuda a disseminar a marca da loja de coxinhas pela Flórida.

Wagner é um publicitário premiado de São Paulo, casado com a arquiteta Lara Zanetti, que juntos utilizaram seus conhecimentos para desenvolver um produto completo e competitivo. “É necessário muito mais do que a famosa ‘receita da vovó’, o produto tem que ser testado exaustivamente até se adaptar a realidade e ao gosto local. É essencial estar pronto para investir pesado no novo negócio, cada detalhe é importante”, diz Wagner.

“A escolha do nome é fundamental, você tem que respeitar a cultura local. É o seu produto que tem que se adaptar, não o contrário”, completa.

O casal abriu uma pequena fábrica em 2016 para testar e introduzir gradativamente o produto no mercado americano. Com pouco mais de 8 meses a Chicken Bites já havia lançado uma linha de congelados, vendidos para supermercados, cafés e restaurantes.

Loja Chicken Bites em Orlando. (Foto-ChickenBites)

Para agilizar o negócio, a fábrica foi montada em um ponto comercial de um shopping em Orlando, onde foi aberta a primeira loja de Fast Food de coxinhas com marca registrada na América. Em paralelo montaram um Food Truck, para testar a aceitação do produto e seus sabores, em diferentes regiões da Flórida.

O sucesso foi rápido, o que impulsionou o valor da marca. Com apenas 1 ano, já expandiram o negócio, abrindo um quiosque no shopping Florida Mall e mais outros 4 pontos de venda em negociação, inclusive um deles na cidade de Tampa.

“A idéia é transformar a Chicken Bites em uma franquia, que já temos até lista de interessados, com mais de 40 candidatos” completa Wagner.

Why Not desafia os consumidores já no nome, despertando a curiosidade sobre o produto. (Foto-Pulsar)

Outra marca que está chegando com força ao mercado americano é a loja de pastéis premium “Why Not?”, que tem à frente a gestora Gabriela Tahech, que mudou para a Flórida há 3 anos. A marca é o resultado da união de um grupo de empresários brasileiros que, em busca de novas oportunidades de negócios, reuniu alguns profissionais com expertise na produção de pastéis, para desenvolver o produto e a marca que vai ser lançada, em breve, na cidade de Orlando, na Flórida.

“Vamos começar nossas atividades com um Food Truck, que oferecerá pastéis salgados e doces, para introduzir e testar, gradativamente as massas e os sabores no mercado americano”, disse Gabriela. “Mas nosso objetivo e planejamento é de espalhar lojas e Food Trucks por todo os Estados Unidos”, completa.

O primeiro Food Truck começa a circular já em janeiro de 2018.

Por que ‘Why Not’?

“O objetivo de nossa marca é justamente gerar curiosidade e fazer com que o público se aproxime e experimente este produto tão conhecido dos brasileiros”, explica Osvaldo Tavares, diretor da agência de propaganda contratada para cuidar da identidade e comunicação da nova marca.

O conceito “crie-o-seu” do Spoleto chegou no território norte-americano, se adaptando aos formatos fast casual italiano.
Ex-Domino’s Pizza International, o presidente do Spoleto EUA, John Valasquez, aposta inicialmente na abertura de 15 a 20 restaurantes em Orlando. Após essa fase, a expansão sairá para o resto do país através de lojas e franquias.

A rede carioca Spoleto, também está de olho nesse mercado e desde 2015 oferece a opção do investidor poder ser um franqueado da rede nos Estados Unidos. A rede já possui cinco restaurantes nos EUA e caminha para a abertura do sexto.

Por Ralf Furtado