Já consolidada no Brasil, a Agrosmart, startup de Campinas (SP), deu início a um processo de internacionalização da marca em 2017. Depois de receber pedidos de países como México, Israel, Colômbia, EUA, Chile, Argentina e Peru, a empresa de monitoramento de lavouras decidiu estabelecer representantes comerciais no exterior.

A empresa teve início monitorando agriculturas de sequeiros (sem irrigação), em plantações de milho e soja. Com um software e uma central de controle, a startup oferece, via web e mobile, um aplicativo com dados da lavoura. O acompanhamento é feito por meio de um sensor conectado à plataforma onde se pode ter imagens e perspectivas da lavoura em tempo real. O sistema possibilita receber informações sobre previsão do clima, controle de pragas, datas para colheitas e reuso de solo.

A primeira experiência fora do Brasil foi um pedido de equipamentos para monitoramento de produção de abacates em Israel. Depois, se seguiu uma demanda dos EUA pelo serviço para o plantio do milho. Posteriormente, a startup também abriu um escritório nos Estados Unidos para prestar consultorias.

A Agrosmart nomeou representantes comerciais nativos nos países de atuação na América Latina, que realizaram a interface nas visitas às fazendas dos novos usuários.

De acordo com a CEO e diretora Mariana Vasconcelos, a empreitada para o exterior exigiu adequações específicas. Solos, climas e culturas diferentes foram obstáculos, principalmente na América Latina. “Países como Chile e Peru, por exemplo, possuem um foco maior em culturas de alto valor agregado e condições de solo que variam muito. Dessa forma, adaptamos os cálculos de área e lavoura monitorados de acordo com a safra e colocamos mais de uma opção de sensor para garantir que as leituras e informações geradas fossem satisfatórias aos clientes.”

Segundo Mariana, uma das lições aprendidas na atuação pelo continente foi perceber o quão importante é realizar parcerias com empresas locais. “Essas parcerias são essenciais para ganhar capilaridade de mercado e auxiliar na interface com o usuário. Hoje temos parceiros para distribuição na América Latina e um ponto de revenda específico para cada lugar.”

Para que a operação funcione, a empresa investiu em treinamento para as equipes radicadas no estrangeiro através de um programa de qualificação de funcionários e realização de encontros anuais de todos os colaboradores.

A Agrosmart não divulga seu faturamento.

Novos conceitos para o campo

Criada em 2014 por Mariana Vasconcelos e Raphael Pizzi, a startup tem clientes por todas as regiões do Brasil, num total de 120 mil hectares de terras monitoradas.

Com 37 funcionários no País, sua grade de clientes inclui nomes como os da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa), Coca-Cola Brasil e Lagoa Bonita Sementes.

Para 2018, a expectativa é consolidar a plataforma, tanto em áreas de sequeiro como nas irrigadas, bem como seguir com a penetração no mercado continental, desenvolvendo canais de vendas, distribuição e base de clientes.

Selecionada pelo governo americano

O primeiro processo de aceleração da Agrosmart foi com a Baita, empresa também radicada na cidade de Campinas, em 2015. A seleção veio pelo Programa Startup Brasil.

Um ano depois, com o crescimento, foi uma das selecionadas pelo Google para uma incubação, quando a gigante norte-americana desenvolveu melhorias tecnológicas para os produtos e realizou um aporte financeiro.

Em 2017, também nos Estados Unidos, ocorreu a participação em um novo ciclo de aceleração, desta vez com a Climate Ventures, iniciativa do governo Obama para fomentar soluções corporativas voltadas ao cuidado ambiental e às mudanças climáticas.