Quer empreender nos EUA? Veja os passos – e histórias de sucesso

São Paulo – Você provavelmente ouviu esta história há alguns anos: um conhecido comprou um imóvel nos Estados Unidos, talvez no estado da Flórida, como uma forma de investimento para o futuro. O ano era 2011; uma época de dólar valia pouco mais do que o real. Com o passar dos anos, você viu a moeda americana se valorizar cada vez mais – e aquele conhecido lucrou muito ao vender o imóvel de antes.

Agora, a situação é diferente. Não só a alta do dólar freia o investimento imobiliário, mas o perfil de brasileiro que coloca dinheiro nos Estados Unidos mudou: esse empreendedor não quer apenas investir, mas sim fazer as malas e se mudar, junto com o negócio, para os EUA.

Segundo dados do consulado americano em São Paulo, o investimento brasileiro nos Estados Unidos aumentou 89% nos últimos cinco anos – e a tendência é que os aportes continuem a crescer.

Nos últimos anos, o aporte dos criadores de negócios brasileiros cresceu especialmente por conta do quadro de crise econômica: eles perceberam que precisam diversificar seus mercados.

“É fundamental para qualquer governo fomentar a produtividade econômica – e uma parte importante de tal fomento é atrair investimentos internacionais, sejam eles simplesmente capital ou boas ideias de negócio”, afirma Ricardo Zuniga, cônsul-geral dos Estados Unidos em São Paulo, em entrevista para EXAME.com na Câmara Americana de Comércio Brasil-Estados Unidos (Amcham).

Nos últimos anos, o aporte dos criadores de negócios brasileiros cresceu especialmente por conta do quadro de crise econômica: eles perceberam que precisam diversificar seus mercados. “Ao entrar nos Estados Unidos, eles ganham tanto um enorme mercado quanto uma receita em dólares – o que é um hedge natural para a recessão brasileira”, analisa Pedro Drummond, da consultoria Drummond Advisors.

Mas só a fuga da crise não justifica a decisão de se mudar completamente – incluindo todo o processo de imigração do Brasil. Manuel Mendes, especialista em estratégia pela Universidade Harvard e executivo da consultoria Boston Innovation Gateway, elenca diversos outros motivos empresariais para apostar no país.

“Do ponto de vista da empresa, temos o fato de os Estados Unidos serem um país claro e estável quanto à legislação de investidores e negócios. Também são um polo de atração de mentes brilhantes e de transferência tecnológica, o que é uma vantagem na hora de contratar”, explica Mendes.

“Além disso, os EUA são um país com grande potencial de mercado: investir em um nicho pode significar atender praticamente um país, pensando em números de consumo. Quando o negócio consegue vencer nessas condições, ele automaticamente valoriza sua marca no Brasil. Isso é especialmente notado em alguns setores, como moda.”

Não há como descartar também fatores ligados à própria vida do empreendedor: é comum ouvir histórias de quem se mudou buscando uma melhor educação profissional ou melhores condições de vida para sua família. Ou, simplesmente, identifica-se mais com a cultura dos Estados Unidos, inclusive ao fazer negócios.

O passo a passo para abrir um negócio nos Estados Unidos

1 — Procure ajuda especializada

Assim como existem casos de brasileiros que fizeram sucesso em terras estadunidenses, existem casos de fracasso retumbante. Se você realmente quer empreender nos Estados Unidos, o primeiro passo é procurar programas especializados de apoio à imigração.

Felizmente, há diversas iniciativas federais, estaduais e municipais de apoio a quem quer abrir um negócio no país.

2 — Tenha a ideia de negócio

O primeiro cuidado que o futuro empreendedor deve ter é justamente identificar uma ideia de negócio e ter uma estratégia clara de como será sua entrada no mercado. Isso envolve entender claramente quais são suas vantagens competitivas, em relação aos negócios já estabelecidos nos Estados Unidos.

“Lembre-se de que um diferencial no curto prazo, como preços baixos por conta de a matéria-prima ser cotada em reais, é algo de curto prazo. Invista em outros aspectos, como um bom pós-venda, capacidade de inovação ou produto de qualidade”, ressalta Mendes.

Segundo o consultor, muitos recorrem a empreendimentos já testados, como as franquias, para reduzir o tempo dessa curva de aprendizagem.

3 — Faça um plano de negócios convincente

Segundo o cônsul-geral Ricardo Zuniga, é importante ter um plano de negócios estruturado antes de começar negociações e fazer as malas para os Estados Unidos. É preciso mostrar que você possui a capacidade, estrutural e financeira, de arcar com essa operação internacional.

“O primeiro passo é fazer um planejamento tributário: entenda qual o custo de fazer negócios lá. O sistema de impostos dos Estados Unidos pode, por exemplo, alterar a margem de lucratividade que você possui hoje no Brasil”, explica Drummond.

Depois, vem o planejamento societário: um gestor será responsável apenas pela operação americana ou todos irão administrá-la? Como será a divisão das participações?

4 — Entenda as especificações de visto

No aspecto migratório, entra uma questão que costuma gerar dúvidas: dá para empreendedor com o mesmo visto que se usa para viajar para negócios ou para lazer?

Antes, é preciso saber que os vistos americanos se dividem por categorias. Os vistos mais importantes para empreendedores são os de categoria B, que servem para visitas de negócio e de lazer; e os de categoria L, para transferência de executivos com conhecimento especializado.

O principal visto das empresas que expandem é o L1, que é o de transferência de empresário – é preciso que ele esteja na empresa brasileira há mais de um ano, alerta Drummond.

Mas dá para empreender com o mesmo visto que você usa para viajar ou para fazer reuniões executivas, por exemplo? Apenas se o seu negócio estiver no plano das ideias.

“Há atividades que se podem ser feitas através de um visto comum, o B1 ou o B2, como reuniões. Mas, para estabelecer a presença de uma pessoa física nos Estados Unidos e levar à cabo o negócio, é preciso obter outros vistos. Temos várias formas de fazer isso, então é importante consultar especialistas. Essa é a parte inicial para o estabelecimento de uma empresa”, diz Zuniga.

Essas formas podem ir desde o visto L1 até a obtenção do desejado “green card”: a residência permanente em solo americano. Além de familiares, pedidos de asilo e sorteios aleatórios entre solicitantes, é possível consegui-lo por meio da comprovação de trabalho ou atividade produtiva nos Estados Unidos.

Para essa categoria, chamada de EB-5, é necessário investir 500 mil dólares (cerca de 1,5 milhão de reais, pela cotação atual) em áreas prioritárias pré-estabelecidas ou 1 milhão de dólares (cerca de 3 milhões de reais) em qualquer região, além de criar ao menos 10 empregos diretos no prazo de dois anos. Segundo Mendes, esse é um dos vistos menos buscados – compreensivelmente, diante do tamanho do investimento necessário.

5 — Vá ao mercado!

Uma dica simples: depois de todo esse processo, que pode levar vários meses, é a hora do famoso “go to Market”.

Caso você ainda não tenha feito seu mínimo produto viável na etapa do plano de negócio, contate seu público-alvo e faça uma pesquisa prévia de aceitação do produto ou serviço.

Então, fale com parceiros comerciais e lance o MVP. Caso a aceitação seja novamente positiva, é hora de investir na implantação do empreendimento nos Estados Unidos (o que pode incluir aportes vultosos, como a construção de uma fábrica, por exemplo).

Achou tudo isso muito complicado? Então, inspire-se com as histórias de quem está no caminho ou já conseguiu ser bem sucedido em solos estadunidenses:

Franquias e licenciamentos made in Brazil

Como comentamos anteriormente, apostar em negócios franqueados ou licenciados pode ser uma forma de empreender nos Estados Unidos com maior segurança, por ter incluída a experiência de um sucesso anterior – o do franqueador ou licenciador da marca.

Mas e quando empreendedores brasileiros fazem tanto sucesso que fundam tais modelos para outros aspirantes – inclusive americanos? Veja alguns casos:

Adapte-se (de verdade) ao mercado estadunidense

Pillar Desouza conhece bem os Estados Unidos: sua família foi ao país quando ela tinha seis anos de idade, nos anos 2000. Seus pais eram empreendedores e queriam dar mais oportunidades e segurança para a família.

Na hora de criar um negócio, inspirou-se nos sabores das frutas europeias (e, depois, brasileiras).

“Fiz uma viagem com meus pais para a Europa em 2010, e sempre fui apaixonada por milk-shakes. Provamos muitos deles lá, especialmente na Itália. Já de volta, tomei um milkshake em Nova York e percebi como os sabores eram ruins e sem variedade, em comparação. Então, abri minha própria loja, em Boston”, conta.

A I Love Milkshakes abriu em novembro de 2013, enquanto Desouza estava no segundo ano da faculdade de administração. Ela investiu entre 80 e 100 mil dólares, com a ajuda dos pais empreendedores (entre 240 mil e 300 mil reais, aproximadamente).

O diferencial do empreendimento, segundo Desouza, é o foco na qualidade de vida e nos sabores únicos: o cliente pode customizar o milkshake do jeito que quiser, com as frutas batidas na hora. “Isso veio muito do Brasil. Lá, os sucos e sorvetes costumam ser feitos com a polpa. Aqui é tudo muito à base de caldas industrializadas”, explica.

O maior desafio da empreendedora foi a elaboração de um cardápio adaptado aos estadunidenses – manter seu diferencial, mas sem simplesmente copiar o que ela viu em outros países.

“A marca e o produto passarão por um procedimento demorado de adaptação: é preciso entender exatamente quais as demandas e oferecer itens condizentes. Nessa hora, é importante contatar uma empresa de consultoria do estado em que você vai atuar”, recomenda.

Na I Love Milkshakes, há hoje sabores típicos do Brasil, como açaí e maracujá. Outros são misturas brasileiras e estadunidenses, como o milkshake de banana com Nutella.

O sucesso foi tanto que Desouza abriu uma unidade da I Love Milkshakes em Vitória, no Espírito Santo. A filial brasileira é administrada pelo tio da empreendedora.

O negócio também começou a planejar a expansão por franqueamento, no ano de 2015. “Eu vi que tinha um grande potencial de crescimento na área de milkshakes, além de a operação ser simples.”

O primeiro quiosque irá abrir este mês, também em Boston. “Iremos avaliar os resultados da primeira unidade antes de atender os outros pedidos de franqueamento. Talvez, no meio do ano, comecemos a vender outras franquias”, diz Desouza.

O investimento de uma unidade franqueada fica entre 150 e 250 mil dólares (entre 450 mil e 750 mil reais), variando entre os formatos quiosque e loja, e o prazo de retorno é de 24 meses.

A I Love Milkshakes faturou 400 mil dólares (cerca de 1,2 milhão de reais) em 2016. Para 2017, o empreendimento pretende atingir um faturamento de 500 mil dólares (1,5 milhão de reais), no mínimo.

I Love Milkshakes

Loja da I Love Milkshakes, nos Estados Unidos

Inove ou feche as portas

É o caso do italiano naturalizado brasileiro Federico di Franco, por exemplo. Em 2014, ele se mudou com a família para os Estados Unidos. “Fomos de São Paulo para Miami e montamos um negócio em cerca de cinco meses: a Bianco Gelato, que produz sorvetes artesanais tanto para lojas próprias quanto outros pontos de venda”, explica di Franco.

O empresário conta que queria dar uma experiência diferente da vivida no Brasil para sua família. Mesmo assim, houve também uma razão empresarial para entrar no mercado americano.

“Entendi que o mercado de sorvetes saudáveis estava em expansão lá. Também não havia no Brasil a matéria-prima para o meu negócio em quantidades escaláveis e preços viáveis, como o leite de amêndoa orgânico, por exemplo. Aqui, nosso negócio consegue ser democrático e não de elite, como seria no Brasil.”

80% dos produtos da Bianco Gelato estão no ramo de sorvetes orgânicos, enquanto os outros 20% são produtos panificados orgânicos, veganos e sem transgênicos. A esposa de di Franco, Carla, inventa as receitas e cuida da marca. Ele gerencia os aspectos administrativos do negócio.

O empreendedor conta que empreender nos Estados Unidos é mais divertido – e, mesmo assim, mais difícil. “O americano está acostumado a ver de tudo, enquanto tudo parece novidade no brasil. Aqui, você deve fazer algo realmente inovativo; se fizer o de sempre, fechará as portas. Nesses dois anos e meio, vi dez sorveterias encerrarem as atividades.”

O esforço se reflete na rotina da Bianco Gelato: di Franco afirma que trabalha das 7h da manhã até a meia-noite, vendendo sorvetes na loja e fora delas. “A produção começa às 8h. A loja fica aberta entre 11h da manhã e 11h da noite. Depois disso, ainda tem o fechamento da sorveteria.”

Agora, a Bianco Gelato está começando seu franqueamento e irá aumentar sua capacidade de produção, com a inauguração de um laboratório maior na metade de 2017. Quatro unidades franqueadas estão em fase de abertura e irão inaugurar este ano, também no estado da Flórida. O investimento inicial de uma loja é de 150 mil dólares (cerca de 450 mil reais).

Com tudo isso, a expectativa é que o faturamento total da Bianco Gelato passe de 550 mil dólares (cerca de 1,7 milhão de reais) para cerca de 700 mil dólares (cerca de 2,1 milhões de reais), em comparação anual.

Federico e Carla di Franco, da Bianco Gelato

Federico e Carla di Franco, da Bianco Gelato (Divulgação)

Não tente dar um jeitinho nos contratos (mesmo)

Gina Alencar possui anos de experiência no mundo do empreendedorismo. Seu negócio, a Boxmania, foi criado em 1998 no Brasil. A empresa tentou expandir para a Colômbia e para o México – mas não obteve sucesso, e aprendeu com a lição.

“A gente percebeu que, especialmente no começo da expansão, precisamos morar algum tempo no país de destino e ficar em cima da implantação”, conta.

Segundo Alencar, a expansão é uma opção de investimento internacional, diante de momentos complicados no país-sede. “Não podíamos ficar esperando para ver como iria ficar a situação econômica do Brasil. Eu tinha interesse no mercado dos Estados Unidos e resolvemos expandir.”

A empreendedora ressalta como o processo de obter um visto não é simples – ela possui um de categoria L. “Não é apenas chegar e fazer. É preciso mostrar como seu projeto está empregando americanos, qual o seu vínculo com o país. Eles pedem muitos documentos e comprovações do que você está fazendo, separando quem é empresário de quem apenas quer morar nos Estados Unidos”, conta.

No fim, ela conseguiu fundar a Boxmania USA. Enquanto a empresa brasileira foca mais em itens de organização para residências, a americana resolveu focar em um mercado que está em ascensão lá, segundo Alencar: as malas.

“Criamos uma marca de licenciamento, chamada Perfect Travel Bag, como um novo conceito de organização para viagens. Dentro das malas você encontra diversas soluções – nécessaires e sacos plásticos para roupas íntimas e molhadas, por exemplo. Parece frescura, mas você percebe a diferença ao montar e desmontar a mala”, afirma.

A Perfect Travel Bag foi idealizada em 2014, mas só começou a operar em fevereiro de 2016, na Flórida. O investimento inicial foi de 400 mil dólares (cerca de 1,2 milhão de reais) e, hoje, há uma loja e um quiosque próprios.

No meio do caminho, Alencar conta que teve novamente de se adaptar aos processos do país. “O fechamento de aluguéis, contratos, negócios e seguros são feitos de forma diferente: são acordos mais frios, sem muita amizade e jeitinho. São aspectos que só se aprendem com adaptação e experiência prática, e isso leva pode levar de seis meses a um ano de vivência local sobre como os sistemas funcionam”, diz Alencar.

A Perfect Travel Bag trabalha por meio de licenciamento, com pontos de venda que comercializam os produtos da marca. “Nosso plano é trabalhar também com a venda dentro de grandes redes, mas mantendo a ideia de que a mala possa ser divulgada como conceito e marca, e não no meio de outros vários produtos.”

Hoje, são três licenciados, sendo que um é brasileiro. “Estamos lançando novos itens para 2017 e negociando algumas expansões, inclusive para interessados em licenciamento no Panamá e no Equador.”

Um quiosque licenciado da Perfect Travel Bag custa cerca de 50 mil dólares (cerca de 150 mil reais), enquanto uma loja pequena sai por 100 mil dólares (cerca de 300 mil reais). A perspectiva de retorno do investimento fica entre 18 e 24 meses. O negócio espera chegar a 20 licenciados este ano.

Gina Alencar, da marca Pefect Travel Bag

Gina Alencar, da marca Pefect Travel Bag

Startups brasileiras competindo com as do Vale

Mas nem só de negócios em setores mais tradicionais vivem os brasileiros que foram empreender nos EUA: alguns estão querendo competir com as famosas startups do Vale do Silício.

EXAME.com entrevistou três startups brasileiras, cada uma com sua história: uma empresa que expandiu para os EUA após anos de atuação; uma empreendimento relativamente novo, que entrou no país há poucos meses; e, por fim, uma startup que ainda planeja sua chegada a solo americano.

Abandone um pouco a idealização e coloque os pés na realidade

É o caso da UPX Technologies, uma empresa brasileira de soluções de segurança e performance na internet. O negócio surgiu em 2002 e atende desde grandes empresas, como o Bradesco, até pequenas emissoras de rádio.

A chegada aos Estados Unidos só ocorreu 12 anos depois, em janeiro de 2014.

“A expansão se deu a partir do momento que detectamos que o que fazíamos no Brasil já estava sofisticado o suficiente para nos tornarmos globais”, explica Bruno Prado, CEO da UPX. “Nós pensamos que o nosso produto pode ser vendido em qualquer parte do mundo, por ser uma solução tecnológica. Se a economia de um país está ruim, outro pode colaborar com nossos resultados.”

A UPX começou seu planejamento com um teste de mercado, por meio da venda terceirizada em um marketplace americano: o negócio anunciava em um site que reúne vários serviços, e os clientes poderiam optar pela solução da UPX. Isso provou que havia demanda, e a startup brasileira resolveu investir mais pesado em 2014.

Esse foi o início de um longo processo de estruturação, que levou um ano e meio. Primeiro, a UPX adaptou sua plataforma para espanhol e inglês e contratou pessoas fluentes no idioma. Depois, falou com um advogado local e com uma consultoria para entender como funcionam os contratos de contabilidade, de contratação de funcionários e do mundo jurídico dos Estados Unidos.

“Com isso, reestruturamos nosso plano de negócios para estabelecer toda a operação fora do Brasil. Também contratamos um profissional local de canais de venda, que conhece bem o mercado e tem aberto diversos canais de negociação abertos”, diz Prado.

A UPX assinará seu primeiro canal de vendas próprio neste mês, e pretende captar 50 clientes americanos até o fim de 2017. O negócio fechou 2016 com um faturamento de 36 milhões, e pretende recuperar o valor investido na expansão internacional em até seis meses.

Como conselho a quem também que chegar aos Estados Unidos, Prado recomenda não se deixar levar apenas pelos sonhos. “Quando você tem uma startup e recebe um aporte de capital, o seu aspecto emocional costuma ficar na frente do racional. Eu já vi vários negócios que foram aos EUA e alugaram o melhor escritório da cidade, investiram em mobília e contrataram profissionais caros. Todo o dinheiro foi embora, e eles não duraram nem um ano. É preciso agir com cautela.”

Bruno Prado, CEO da UPX Technologies

Bruno Prado, CEO da UPX Technologies

Construa um produto realmente de qualidade, sabendo ouvir

O negócio dos empreendedores Fernando Pavani e Stefano Milo também começou com perspectivas globais: em 2014, eles inauguraram uma plataforma de compra de moeda estrangeira online, chamada BeeCâmbio.

Hoje, a BeeTech se transformou em uma startup de soluções financeiras tecnológicas – incluindo tanto a BeeCâmbio quanto a Remessa Online, um serviço para mandar dinheiro a outros países.

Segundo os empreendedores, a startup pratica um spread (diferença entre taxa cobrada e taxa de captação do valor) menor do que os bancos tradicionais para esse tipo de transferência, além de oferecer uma plataforma mais fácil de se usar. O spread médio da plataforma é de 1,6% ao mês.

Hoje, a BeeTech possui 20 mil clientes, sendo que 5 mil usam a Remessa Online. A maioria dos consumidores é de classe alta, e envia dinheiro para contas no exterior e para pagar a educação internacional dos filhos, por exemplo.

“Como somos um serviço que atravessa fronteiras, ter um alcance global é fundamental. Vemos que muito do capital que entra no Brasil vem dos Estados Unidos, e lá há muitas corretoras tecnológicas com as quais podemos fazer integrações e parcerias”, explica Milo.

A BeeTech chegou aos EUA há dois meses, e está justamente procurando parceiros americanos que possam indicar a startup aos seus clientes que enviam dinheiro internacionalmente.

Há atualmente duas corretoras parceiras da BeeTech em solo americano. “A opção de mandar e receber dinheiro pelos Estados Unidos, no site dessas corretoras, funciona com a Remessa Online. Os clientes delas já fazem um cadastro simplificado na nossa plataforma, com dados preenchidos automaticamente.”

A BeeTech, hoje, está desenvolvendo uma ferramenta para centralização não apenas o envio de dinheiro, mas o recebimento – hoje, o recebimento é vinculado a corretoras parceiras.

Como dica a futuros empreendedores nos Estados Unidos, Milo recomenda ter uma abordagem muito profissional, com foco em detalhes. “A diferença entre o regular e o excepcional é a atenção dada ao detalhe. Você tem que mostrar que tem realmente algo de qualidade. Pode parecer besteira, mas assim seus clientes e parceiros percebem que você tem um time diferenciado por trás do negócio, e isso faz toda a diferença para um imigrante.”

Fernando Pavani e Stefano Milo, da BeeTech

Fernando Pavani e Stefano Milo, da BeeTech

Não queira dominar os Estados Unidos de uma vez: ataque nichos

A MidiaMobi, plataforma brasileira de gestão de conteúdo para o marketing e para as redes sociais de empresas, foi criada em 2014 pelos empreendedores João Gonzalez e Martius Haberfeld.

O negócio atende 100 clientes hoje: desde pequenas empresas até grandes clientes, como o grupo Hypermarcas. Ao todo, cerca de mil usuários usam a plataforma.

Assim como a UPX, a MidiaMobi também tinha pretensões globais em seu planejamento. “Já na nossa pesquisa de mercado, pensamos em como nossa solução se encaixaria em outros países. Olhamos para empresas que fizeram sucesso lá fora sem terem surgido de grandes potências econômicas, como Mercado Livre [argentina] e Spotify [Suécia]. Como a gente é uma empresa de software, nosso foco é o mercado global”, explica Gonzalez.

No momento, a MidiaMobi está estudando a burocracia para se estabelecer nos Estados Unidos e em países da América Latina e procurando parceiros locais para a venda online do serviço. “Buscamos empreendimentos complementares, porque assim podemos distribuir melhor nossa solução em um mercado tão grande quanto o dos Estados Unidos. Por exemplo: empresas como MailChimp e Zendesk atendem o mesmo público que nós, mas possuem serviços que não competem com o nosso.”

O empreendimento ainda está estruturando sua expansão para os EUA: a ideia é ter o planejamento pronto no fim de 2017, para começar a operar as parcerias em 2018.

É algo que leva tempo. “Temos de buscar contatos no mercado, ainda que já tenhamos alguns, e elaborar um plano de negócios contundente. A maior dificuldade é elaborar uma estratégia diante de variáveis tão específicas em cada estado americano, como o perfil de consumidor. Antes de tomar ações específicas, estudaremos bastante”, diz Gonzalez.

As regiões desejadas são Nova York, por ter um forte mercado de comunicação; Califórnia, por concentrar fundos de investimento, uma opção de alavancagem futura; e Boston, por também ser um hub de startups.

Mesmo atuando em locais tão conhecidos, a estratégia que a MidiaMobi tomará é achar pequenos nichos para se tornar relevante. “Por exemplo, queremos ser relevantes para os designers de Los Angeles, e então tentar expandir. É um trabalho de formiguinha mesmo: ter como meta dominar metade do mercado americano é uma loucura, por exemplo.”

Para este ano, a MidiaMobi pretende aumentar sua base de clientes para 400 empresas e 3000 usuários ativos.

João Gonzalez e Martius Haberfeld, da MidiaMobi

João Gonzalez e Martius Haberfeld, da MidiaMobi

Futuro: Donald Trump pode mudar seus sonhos de empreender?

Donald Trump provocou muitas polêmicas durante o processo das eleições americanas. Uma das mais conhecidas diz respeito à imigração: ele afirmou que retomaria os projetos de construção de um muro que separaria os Estados Unidos do México. Há poucas semanas, assinou o projeto e oficializou sua promessa.

Com tal posicionamento, surgem muitas dúvidas sobre como será a relação de Trump com os imigrantes ao país. Será que os brasileiros que querem abrir negócios nos Estados Unidos serão afetados?

Os empreendedores consultados por EXAME.com deram análises mistas: há quem diga que Donald Trump será melhor para a economia americana do que o último governo. Também há aqueles que afirmam não ter visto grandes alterações no seu mercado de atuação.

Por fim, há os que defendem que o maior controle sobre os imigrantes pode afetar a operação de muitos negócios para pior – pode haver menor diversidade na hora de contratar funcionários brilhantes e em atrair consumidores, como ressalta o governador do estado de Delaware, por exemplo.

“Quais CEOs responsáveis e inovadores alienariam grandes fontes de talentos e consumidores? Nenhum, porque seus quadros administrativos os demitiriam na hora. Mas Trump alienou latinos (o poder de compra deles nos Estados Unidos: mais de um trilhão de dólares) e muçulmanos (mais de 125 bilhões de dólares”, analisou Jack Markell, que também é empresário, à Forbes.

Já segundo os especialistas ouvidos por EXAME.com, o brasileiro pessoa física que entra nos Estados Unidos pode enfrentar agora mais problemas do que antigamente – o que é um obstáculo para quem ainda está na fase de ideação do empreendimento.

“O governo americano é muito bem aparelhado, e já estamos vendo mais fiscalização e prazos mais longos na hora de conceder os vistos. Vários clientes têm sido parados e questionados na imigração, o que antes não acontecia. Os EUA sabem que o volume de pedidos brasileiros já cresceu muito e vai crescer ainda mais, o que acende um alerta”, afirma o especialista Manual Mendes.

Donald Trump assinou recentemente algumas mudanças no controle migratório que reforçam tal fiscalização. A concessão de vistos para brasileiros mudou: agora, todos os solicitantes deverão passar por entrevista pessoal. Antes, quem renovasse seu visto na mesma categoria, em até 48 meses após o vencimento, não precisaria refazer essa etapa.

Mesmo com esse obstáculo na pessoa física, Pedro Drummond analisa que os empreendedores já legalizados não sofrerão o mesmo impacto.

“As mudanças imigratórias mais significativas, até o momento, estão voltadas para estrangeiros de outros países, não o Brasil. Não há nada que indique que, no futuro, teremos maior dificuldade para o processo de visto de executivos brasileiros transferidos para cuidar do empreendimento a ser estabelecido nos Estados Unidos.”

“A empresa que quer realmente criar raízes vai ser beneficiada”, explica o consultor Manuel Mendes. “Agora, quem quer somente exportar seus produtos para os Estados Unidos pode enfrentar obstáculos, como mudanças tarifárias e protecionismo.”

Ministro interino da Indústria e Comércio Exterior promove reunião para debater ações em 2018

da Indústria e Comércio Exterior promove reunião

Brasília – O ministro interino da Indústria, Comércio Exterior e Serviços (MDIC), Marcos Jorge de Lima, reuniu, hoje, em Brasília, os secretários da Pasta e presidentes das entidades vinculadas (INPI, Inmetro e Suframa) e supervisionada (ABDI) para discutir as principais ações a serem executadas em 2018. Marcos Jorge assumiu o comando do ministério na última semana, após a saída de Marcos Pereira.

Na reunião, o ministro destacou os esforços empreendidos pela atual gestão para dinamizar o ambiente de negócios no Brasil. “Aprovamos a criação da ZPE do Porto do Açu em tempo recorde: entre a visita dos representantes do Conselho Nacional das Zonas de Processamento de Exportação (CPZE) e a publicação do decreto de criação da zona alfandegada se passaram quinze meses. Outro dado positivo é o saldo da Balança Comercial em 2017. Fechamos o ano com o maior superávit da história, US$ 67 bilhões”, disse.

Marcos Jorge orientou os secretários e presidentes das vinculadas a manterem as políticas e ações em curso.

O secretário de Comércio Exterior, Abrão Neto, agradeceu a valorização que a gestão tem dado ao servidor efetivo da Casa. “A atual gestão manteve os analistas em cargos estratégicos e de confiança. Todos os secretários do MDIC são técnicos, o que colabora para a continuidade do nosso trabalho”, afirmou.

Fernando Lourenço, subsecretário de Planejamento, Orçamento e Administração, enalteceu a conduta dos titulares do MDIC nos últimos meses. “No ano passado, tivemos uma execução orçamentária de 99,5%, fato que nunca havia acontecido antes”, ressaltou reiterando ainda que foram desempenhas, no último ano, diversas medidas para a organização administrativa da Pasta e também para melhoria do ambiente de trabalho.

Vinculadas

O presidente do Instituto Nacional de Propriedade Intelectual (INPI), Luiz Otávio Pimentel, destacou as medidas recentes para modernizar o sistema de propriedade industrial brasileiro.

“Desde 2016, quando o ministro Marcos Pereira assumiu a gestão do MDIC, 210 novos  servidores tomaram posse no INPI. Isso significou um aumento de 25% do quadro no período”, disse. Pimentel explicou que, aliado a várias medidas de melhoria da produtividade do INPI, o aumento do quadro contribuiu para se registrar, já em 2017, uma redução efetiva do becklog (estoque de pedidos) de marcas e patentes, em 11,6% 6,6%, respectivamente, em relação a 2016. “Com apoio do MDIC, estamos melhorando as condições estruturais do instituto”, reiterou.

O INPI vai receber até R$ 45 milhões de investimentos, a partir de um acordo de cooperação técnica entre MDIC, INPI e Agência Brasileira de Desenvolvimento Industrial (ABDI). O objetivo é melhorar a infraestrutura de TI e a reformulação dos processos, garantindo que o órgão alcance tempo compatível com as práticas internacionais.

Guto Ferreira, presidente da ABDI, também ressaltou medidas do governo para dinamizar os trabalhos da entidade. “Em menos de dois anos, conseguimos promover reduções significativas de custos administrativos e operacionais da agência”, destacou.

Reunião  

Além de Luiz Otávio Pimentel e Guto Ferreira, também compareceu à reunião o presidente do Inmetro, Carlos Azevedo.

Além disso estiveram presentes representantes das oito secretárias do MDIC (Comércio Exterior; Inovação e Novos Negócios; Desenvolvimento e Competitividade Industrial; Comércio e Serviços; Conselho Nacional das Zonas de Processamento e Exportação; Câmara de Comércio Exterior; Micro e Pequena Empresa; e Aquicultura e Pesca)

A reunião contou ainda com a presença dos chefes e titulares da Assessoria de Assuntos Internacionais, Parlamentar, de Comunicação, Consultoria Jurídico, Controle Interno, Ouvidoria e Corregedoria.

Por: Comex do Brasil

Brasileiros têm mais interesse em abrir empresa nos EUA

A crise política e econômica pela qual o Brasil passa está motivando cada vez mais empresários a tentarem abrir empresa no EUA. Segundo o Setor Econômico e de Promoção Comercial do Consulado-Geral de Miami, houve aumento de cerca de 40% na quantidade de investidores brasileiros a fim de abrir empresas ou expandir negócios nos Estados Unidos no ano de 2015.

Programas para abrir empresa nos EUA

Os empreendedores brasileiros que têm interesse em abrir empresa nos EUA precisam ficar de olho em programas que incentivem estrangeiros a abrir negócios no país. Esse tipo de iniciativa do governo americano pode facilitar a entrada da sua empresa no país e a obtenção de um visto permanente nos Estados Unidos.

Um dos exemplos é o programa EB-5, que incentiva o empreendedor estrangeiro a investir de US$ 500 mil a US$ 1 milhão em uma franquia nos Estados Unidos. A empresa deve gerar pelo menos 10 empregos para trabalhadores americanos.

Nesse programa, o empreendedor tem dois anos após a concessão do visto provisório para comprovar a criação dos empregos. Depois desse período, ele pode dar entrada no Green Card, que é o visto permanente, concedido para o empresário, cônjuge e filhos solteiros até 21 anos.

como abrir empresa nos EUA
Governo americano tem programas que incentivam estrangeiros a empreender no país. Foto: iStock, Getty Images

Como abrir empresa nos EUA

Para o empreendedor estrangeiro, os procedimentos para abrir empresa nos EUA podem parecer confusos e complicados. Por isso, é necessário ter um planejamento amplo e detalhado para que o capital investido e o seu retorno sejam maximizados.

O empreendedor deve observar aspectos legais, impactos tributários, obtenção de vistos de entrada no país e formas de financiar operações internacionais, entre outras informações. Para abrir empresa nos EUA, é fundamental ter uma visão ampla do processo de expansão do negócio e das principais tendências do mercado americano, abrindo caminho para traçar uma estratégia eficiente.

Veja no que prestar atenção, segundo a Drummond, empresa que presta serviços de internacionalização de negóciosbrasileiros nos Estados Unidos:

Estrutura societária

A escolha da estrutura societária e do tipo de entidade legal, por exemplo, vai influenciar nas implicações tributárias sobre a nova empresa, o que afeta diretamente os rendimentos do empreendimento.

Local de atuação

Outro ponto que merece atenção é a escolha do local de atuação: em muitos casos, a empresa se estabelece em um determinado estado devido aos benefícios fiscais oferecidos, porém possui operações em outro local.

Funcionários

Embora a legislação trabalhista seja mais simples e flexível que a brasileira, o empreendedor não deve descuidar das obrigações básicas, como o seguro desemprego, contribuição-previdenciária e seguro saúde obrigatório (Medicare).

Vistos

É importante entender os requisitos e peculiaridades dos vistos de entrada nos EUA. Cada tipo de visto estabelece um limite de permanência no país e define as atividades que podem ser exercidas. O L1 é o mais procurado por quem quer empreender nos EUA, pois permite a transferência de executivos ou gerentes entre empresas do mesmo grupo econômico ou vinculadas.

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Ter sucesso nos EUA é um trabalho de fundo

O responsável da FLAD atesta que, entre os finalistas deste prémio, há projectos com “boas hipóteses” de vingar nos Estados Unidos, avisando os jovens empreendedores que devem “estar preparados para fazer o caminho das pedras até começar a ter sucesso” naquele país.

Jorge Gabriel: "Ter sucesso nos EUA é um trabalho de fundo"
Jorge Gabriel administrador da FLAD
O administrador da Fundação Luso-Americana para o Desenvolvimento (FLAD), Jorge Gabriel, deixa alguns conselhos aos jovens empresários portugueses que querem fazer negócios nos Estados Unidos e aponta três características que eles devem desenvolver para aumentar as probabilidades de sucesso na maior economia do mundo.

Da análise feita, há projectos com boas hipóteses de vingar nos EUA?
Há projectos com boas hipóteses de ter produtos que possam vir a ser exportados, como sapatos, cremes da cosmética ou moldes, para um mercado muito vasto – e a primeira dificuldade é para onde e qual o canal. E outros têm boas hipóteses de estabelecerem algum tipo de relação com os EUA: ter uma subsidiária, o fundador durante algum tempo a operar e procurar negócio lá, ter uma parceria ou instalar-se lá e fazer negócio no mercado americano.

É relevante essa busca de um parceiro local?
Sim. É preciso estabelecer parcerias com empresas americanas para conseguir entrar lá. É muito difícil uma empresa portuguesa ir ou estar só. Estamos melhor do que há 30 anos, mas nesse aspecto as empresas americanas têm um grande espírito de cooperação e uma mentalidade muito mais madura. Aquele até é meu concorrente, mas num negócio específico pode ser meu parceiro, desde que as regras estejam bem estabelecidas previamente.

“Os nossos empreendedores falam bem inglês, têm boa empatia, a nossa comunidade emigrante é bem vista. Mas ir para os EUA não é para curto prazo. É preciso muito suor para colher os frutos.”

Que conselhos dá a estes jovens empresários portugueses?
Os nossos empreendedores falam bem inglês, têm boa empatia, a nossa comunidade emigrante é bem vista. Mas não é começar agora e ter sucesso para o ano. É um trabalho de fundo. Ir para o mercado dos EUA não é para curto prazo. É preciso muito suor para colher os frutos. E é muito importante saber quem são os concorrentes. Não podem ir para o mercado sem saber quem está a actuar lá. Finalmente, é também um mercado muito exigente, mas que dá oportunidade para mostrar qual o seu plano estratégico e a sua ideia.

Quais as características que deve ter o próprio empreendedor para vencer naquele mercado?
A primeira é estar bem preparado do ponto de vista técnico: conhecer o produto, as necessidades do cliente e do mercado, os produtos concorrentes e o valor do seu produto relativamente aos seus concorrentes. Depois, tem de ter capacidade de gestão. Não precisa de ter formação em Gestão ou MBA – se tiver, melhor -, mas de demonstrar que tem um plano de negócio, que sabe como pode ser implementado e como vai ganhar dinheiro. Por último, há o perfil psicológico: ter iniciativa e ser uma pessoa resiliente, que não desista nem à primeira nem à 24.ª contrariedade. Estar preparado para fazer o caminho das pedras até começar a ter sucesso. E ter alguma ousadia, mas os pés assentes na terra. Pensar fora da caixa, mas de uma maneira estruturada e mostrando que sabe o que está a dizer.

Por: António Larguesa 

Mais uma fabricante de aeronaves no Brasil

Em tempos de grandes negociações na indústria global da aviação, como a união da Airbus com a Bombardier e o namoro entre Boeing e Embraer, a fabricante brasileira de aviões Inpaer luta para se tornar mais conhecida. A primeira decisão é a mudança de nome: Octans Aircraft. “Quero adotar uma marca de inserção natural no mercado global”, afirma o presidente, Milton Roberto Pereira. Ele já registrou a marca em outros países, como Canadá, China e Estados Unidos, e também na União Europeia. Engenheiro mecânico, Pereira trabalhou durante 40 anos no mercado financeiro antes de se dedicar à paixão por aeronaves. Em 2013, comprou um terço de participação na Inpaer, que fabricava aviões experimentais. Atualmente, é dono de 90% do negócio. Seus plano são ambiciosos. A empresa finaliza o projeto de uma nova aeronave que será homologada e cujo protótipo será entregue para voo no primeiro semestre de 2018.

Seguros Unimed fecha parceria com Multiplus
Na tentativa de ampliar a atuação no mercado segurador e desvincular sua imagem da falida Unimed Paulistana, a Seguros Unimed firmou parceria com a Multiplus para oferecer acúmulo de pontos na contratação de seguros. O negócio é mesmo promissor. Em termos práticos, funciona assim: um tíquete anual de R$ 3,5 mil pode gerar 28 mil pontos, o suficiente para o consumidor embolsar passagens aéreas internacionais.

A aquisição bilionária da Bosch
A alemã Bosch, maior empresa de autopeças do mundo, está prestes a comprar uma participação no capital da compatriota Here Tecnologia, especializada em mapeamento feito por GPS. Os detalhes da negociação liderada pelo presidente mundial da empresa, Volkmar Denner, são mantidos em sigilo, mas estima-se que a transação chegue a 1,2 bilhão de euros (aproximadamente R$ 4,6 bilhões), incluindo investimento no desenvolvimento de novas áreas de negócios.

Chineses de olho nos rótulos gaúchos

A vinícola chinesa Great Wall, uma das três maiores do mundo em volume de produção, está de olho no mercado brasileiro. Mas ela não quer apenas vender por aqui. Um grupo de executivos virá ao país em janeiro para assinar parcerias com produtores gaúchos. Como a lei brasileira limita que estrangeiros tenham posse de terras, a ideia é explorar a experiência dos empresários da Serra Gaúcha para vender no Brasil e na América Latina. Entre os rótulos mais conhecidos estão os Château Sungod e o Terroir Wine.

 

“Não é nada a celebrar, mas a situação de declínio, de descontrole da economia que havia até o encerramento do mandato da presidente Dilma Rousseff já não se vê mais. Tem uma circunstância psicológica melhor no país”
João Doria (PSDB), prefeito de São Paulo

 

US$ 74 bilhões é quanto as startups israelenses de alta tecnologia geraram a investidores em 2017. O valor recorde é 110% superior ao volume de 2016.

 

Fonte: .em.com.br

Eventual acordo com Boeing respeitará segurança nacional, diz Embraer.

Leo Pinheiro/ValorSÃO PAULO – A Embraer afirmou na noite desta quarta-feira que uma eventual combinação de negócios com a americana Boeing deve preservar, “antes de mais nada”, os interesses estratégicos da segurança nacional. Além disso, a empresa disse que a negociação deve “respeitar incondicionalmente” as restrições decorrentes da ação de classe especial (“golden share”) detidas pelo governo brasileiro — por meio da qual é possível vetar, por exemplo, uma tentativa de aquisição do controle da empresa.

Em comunicado enviado à Comissão de Valores Mobiliários (CVM), a fabricante brasileira de aeronaves destacou que, no momento, não possui elementos para manifestar-se sobre as atuais intenções da Boeing ou a estrutura que uma potencial combinação de negócios entre as empresas poderia vir a adotar.

“A administração da Embraer tomou, como sempre tem feito, boa nota das manifestações públicas do governo brasileiro e seguirá em conformidade com elas em quaisquer futuros entendimentos”, afirmou a companhia.

A manifestação da empresa brasileira ocorreu em resposta a questionamentos da CVM quanto a notícia publicada pelo jornal “Folha de S. Paulo”, repercutindo a possível fusão entre as companhias. Em 21 de dezembro, Embraer e Boeing confirmaram que estavam em tratativas em relação a uma potencial combinação de seus negócios, em bases que ainda estavam em discussão.

 

Por Victor Aguiar | Valor

Ministro dá aval a acordo da Embraer incluindo área de Defesa

Raul Jungmann diz que é necessário apenas preservar sigilo de operações

O Embraer Phenom 300 é apresentado durante a Feira de de Negócios em Congonhas, São Paulo em agosto de 2017 PAULO WHITAKER / REUTERS

 

BRASÍLIA e SÃO PAULO – O governo brasileiro pode vir a apoiar uma parceria mais ampla entre a americana Boeing e a Embraer — que envolva também projetos das Forças Armadas, além da linhas de produção comercial (aeronaves civis). Segundo o ministro da Defesa, Raul Jungmann, desde que o acordo tenha cláusulas que preservem o sigilo, não há restrições. O Brasil, destacou o ministro, só não abrirá mão do controle da companhia porque isso significaria “flexibilizar a soberania nacional”.

— É possível fazer uma parceria ou promoção comercial também na área militar, desde que seja resguardado o sigilo, caso a caso. Só não faremos alienação, venda ou transferência do controle — disse o ministro.

O governo tem uma golden share, classe especial de ações que permite o veto em questões estratégicas. Jungmann ressalta que os países não repassam o controle das empresas que atuam na fabricação de equipamentos de Defesa.

O ministro disse ainda o governo ainda não recebeu uma proposta concreta da Boeing, mas que a expectativa em torno das tratativas é positiva:

— A Defesa torce para que essa parceria avance — ressaltou.

Mesmo sem um modelo definido para a parceria com a Boeing, como compra de ações ou associação, a Embraer pretende manter conversas com o governo para mostrar o melhor caminho para a empresa, o que poderia render frutos para o país. Segundo uma fonte, a fabricante americana defende que é possível encontrar um modelo em que o sigilo e a autonomia da operação na área de Defesa sejam preservados.

— O importante é que houve a sinalização de que é possível ter um arranjo na área de Defesa em que sejam mantidos os aspectos de sigilo, interesse estratégico e soberania. Esse tipo de arranjo já ocorre na Austrália e no Reino Unido, onde a Boeing tem parcerias — disse a fonte, que falou sob condição de anonimato.

Nestes casos, a Boeing cumpre uma série de protocolos para que não ocorra a circulação de informações relativas à segurança dos países em que atua. Procuradas, as empresas não comentaram o assunto e se limitaram a informar que não há novidade desde a divulgação do comunicado do último dia 21, quando ambas afirmar estudar uma associação.

MAIS ACESSO A MERCADOS

Internamente, a Embraer vê de forma favorável a associação com a Boeing num mercado que vem se consolidando. O segmento de aviões regionais vem ganhando novos concorrentes de China e Rússia, e a canadense Bombardier fez acordo recente com a europeia Airbus.

Segundo o ministro Jungmann, os investimentos em pesquisa e desenvolvimento na área de Defesa são muito elevados. Ele afirma que o cargueiro tático KC-390, desenvolvido pela Embraer, só avançou porque o governo investiu R$ 6 bilhões e se comprometeu a comprar 28 aeronaves do modelo. O acordo com a Boeing também teria potencial de elevar a competitividade da companhia brasileira no segmento de aviões civis, como o E-195.

— Ter a Boeing olhando para o KC-390 e o E-195 é muito positivo — disse uma fonte ligada à Aeronáutica.

Segundo uma fonte que acompanha as negociações, a parceria cria um novo cenário para a venda de produtos:

— O KC-390 é um avião que pode aumentar a participação da Embraer em um segmento mais rentável. Mas para isso é preciso uma estrutura comercial que a Boeing tem de sobra. Será possível impulsionar a venda de produtos ao mercado americano.

Outro argumento é que a associação tem potencial para intensificar a aproximação comercial entre Brasil e EUA:

— Quando se tem uma indústria estratégica envolvida, você acaba tendo uma aproximação comercial.

Para Carlos Soares, analista da Magliano, a operação facilitaria a compra de equipamentos, insumos e troca de tecnologia.

Já o diretor do sindicato dos Metalúrgicos de São José dos Campos, Herbert Claros, criticou a negociação:

— Temos certeza de que a negociação incluirá tanto a área de jatos executivos quanto a de Defesa, já que Boeing e Embraer têm parceria para a venda do KC-139 no exterior. Isso preocupa porque defendemos, além da preservação dos empregos, a manutenção da soberania da Embraer no segmento de Defesa.

Por Geralda Doca / Ana Paula Ribeiro / João Sorima Neto

Movimento Céus Abertos afirma que aprovação de acordo vai gerar empregos

O acordo foi assinado em 2011, no governo de Dilma Rousseff, mas estava parado no Congresso

 

Aviões são vistos no aeroporto Santos Dumont no Rio de Janeiro, Brasil (Foto: Nacho Doce/Reuters)

O Movimento Brasileiro pelos Céus Abertos se manifestou sobre a aprovação do Acordo de Céus Abertos entre o Brasil e os Estados Unidos no plenário da Câmara dos Deputados. “A decisão dos parlamentares trará grandes benefícios, não apenas a quem viaja entre Brasil e EUA, mas para toda a indústria do turismo e para os consumidores brasileiros”, diz a organização, em comunicado.

“O Céus Abertos impulsionará a geração de empregos e será um importante estímulo à nossa economia nos próximos anos, principalmente nesse momento de retomada”.

O projeto aprovado nesta terça-feira (19) ratifica acordo sobre transportes aéreos assinado em 2011 entre Brasil e Estados Unidos. Aprovada em votação simbólica, a proposta foi enviada ao Senado. Alguns dos artigos do acordo, conhecido como “céus abertos”, já estão em vigor, em razão de um memorando de entendimento entre os dois países. Entre eles, os que estabelecem regime de preços livres e criação de novos itinerários e oferta de code-share.

Acordo de code-share é um acordo de cooperação pelo qual duas companhias compartilham o mesmo voo, os mesmos padrões de serviço e mesmos canais de venda. Por meio dele, uma companhia pode transportar passageiros cujos bilhetes tenham sido emitidos por outra.

O acordo foi assinado em 2011, no governo de Dilma Rousseff, mas estava parado no Congresso. Há algumas semanas, um grupo de empresas aéreas, agências de viagens e outras instituições criaram o Movimento Céus Abertos, para pressionar a Casa a aprovar o projeto. Latam e American Airlines lideram o movimento.

A maior oposição vinha da Azul, que alegava que as companhias brasileiras não competiam em igualdade de condições com as americanas. Setores da oposição no Congresso também eram contrários.

Latam e American alegam que o acordo vai aumentar a concorrência, derrubando as tarifas, mas isso não é consenso entre especialistas do setor.

POR ESTADÃO CONTEÚDO COM O GLOBO

Novas regras modernizam a indústria automotiva do Brasil

Marcado para entrar em vigor no ano que vem, o programa Rota 2030 prevê, entre outras mudanças, a cobrança de impostos de acordo com a eficiência energética do veículo

Hyundai/Divulgação - 17/12/14
Previsão é de que, com novo regime, benefícios tributários às montadoras não superem R$ 1,5 bilhões por ano

São Paulo — Depois de vários adiamentos, o governo vai anunciar até o final desta semana as regras do novo regime automotivo. Batizado de Rota 2030, o programa substituirá o Inovar-Auto, que tem prazo de validade até 31 de dezembro. Na última sexta-feira, o ministro da Indústria, Comércio Exterior e Serviços (MDIC), Marcos Pereira, disse que os entraves de ordem orçamentária estão sendo superados e que, por isso, o Rota 2030 está pronto para ser anunciado. “Estamos nos ajustes finais com o Ministério da Fazenda. Existem dificuldades por conta do deficit da União, mas a nossa expectativa é, no máximo, chegar a uma conclusão até o final da próxima semana”, disse o ministro logo após participar de evento na Fecomércio-SP.

Desde que entrou em vigor, em 2013, o Inovar-Auto já destinou ao setor automobilístico R$ 6,5 bilhões em descontos de impostos. A previsão do governo é de que, com o novo regime, os benefícios tributários às montadoras não ultrapassem R$ 1,5 bilhão por ano. As mudanças introduzidas também têm como objetivo eliminar o tratamento diferenciado dado à produção de veículos no Brasil em relação aos importados, fato que levou o Inovar-Auto a ser condenado pela Organização Mundial do Comércio (OMC) por suposta concessão de incentivos ilegais, o que daria larga vantagem ao produto nacional.
Entre as dificuldades admitidas pelo ministro para a aprovação do Rota 2030 está a proposta que estabelece novas alíquotas do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) dos automóveis. Técnicos do Ministério da Fazenda e do MDIC se depararam com um desafio: como estabelecer um novo sistema tributário sem trazer prejuízos à arrecadação? Entre janeiro e agosto, foram recolhidos R$ 19 bilhões em IPI sobre a fabricação de veículos. Em nota, o Ministério da Fazenda já disse que analisa o Rota 2030 por diversos ângulos, sendo que o custo fiscal é um deles.
Fazenda e Planejamento querem que o valor de renúncia fiscal para o setor não ultrapasse R$ 1,5 bilhão por ano. A equipe econômica também estuda a substituição das isenções e descontos do IPI por créditos tributários. Em tese, não teria problema, mas as fabricantes de automóveis desconfiam de que a utilização dos créditos fiscais seja dificultada pela Receita, como já ocorre hoje em dia não só com o setor automobilístico, mas também com empresas de outros ramos. Pela previsão orçamentária de 2018, o governo deixará de arrecadar pouco mais de R$ 280 bilhões em tributos por conta de isenções e descontos tributários dados em programas como o Simples. Do bolo total, 13% irão para a indústria e, dessa fatia, apenas 0,5% será destinado ao Rota 2030.
Com a nova política para o setor, o governo quer, além de reduzir benefícios, estimular as montadoras a incorporarem novas tecnologias para a redução dos impactos ao meio ambiente, preparando os carros fabricados no país para competir no mercado internacional. Segundo a Associação Brasileira de Engenharia Automotiva (AEA), o acordado entre entidades, empresas e governo prevê que os fabricantes melhorem em torno de 12% a eficiência energética dos carros comercializados no Brasil nos próximos cinco anos. “Será um pouco mais ou um pouco menos que isso. Estamos ajustando os detalhes”, diz Edson Orikassa, presidente da AEA.
A Anfavea, associação que reúne as montadoras do país, tem defendido a continuidade do Inovar-Auto, agora Rota 2030, e considera essencial o programa priorizar a evolução tecnológica dos carros vendidos no Brasil, melhorando a eficiência energética dos motores. Outro ponto elogiado pela indústria é a exigência de equipar os carros com motores mais eficientes, o que contribui para a redução das emissões de gases do efeito estufa e impulsiona a evolução de combustíveis ecológicos, como etanol e biodiesel.

O novo programa

Os principais pilares que sustentam o Rota 2030
» Recuperação da base de fornecedores: criação de linhas de crédito especiais e refinanciamento de dívidas.
» Eficiência energética: desenvolvimento de carros menos poluentes e mais econômicos.
» Tecnologia: apoio à inovação da indústria nacional.
» Tributação: cobrar impostos de acordo os números de consumo e emissão de poluentes.
» Segurança: definição de cronograma de médio prazo para a inclusão de novos sistemas e recursos de segurança.
» Inspeção veicular: criação de um programa nacional de inspeção veicular para identificar veículos que não têm condições de circular.
» Logística: apoiar o uso de diversos modais para baratear o custo logístico.

Exportações da agropecuária brasileira crescem 115% em novembro

O volume de exportações de produtos agropecuários brasileiros cresceu 115,2% em novembro deste ano, na comparação com o mesmo período do ano passado. O setor foi o principal responsável pela alta de 13,3% das exportações brasileiras no período, segundo dados do Indicador de Comércio Exterior, da Fundação Getulio Vargas (FGV).

A indústria da transformação teve crescimento de 5,4%, enquanto a alta da indústria extrativa foi de apenas 0,2%.

Entre as categorias de uso dos produtos exportados, a maior alta foi nos bens de consumo duráveis (27,8%). Em seguida, aparecem os bens intermediários, isto é, os insumos do setor produtivo (15,7%). As exportações dos bens de capital, isto é, as máquinas e equipamentos, caíram 10,7%.

O preço dos produtos exportados pelo país caiu 2,6% em novembro deste ano, na comparação com o mesmo período do ano passado. O principal responsável por esse movimento foi o recuo de 11% no preço da soja. O preço dos produtos agropecuários caiu 7,6%.

Importações

As importações brasileiras cresceram 20,2% em novembro, mais do que as exportações. A indústria extrativa teve alta de 37% nas importações, enquanto a indústria da transformação cresceu 17,9%. Entre as categorias de uso, a maior alta nas importações foi observada entre os bens de capital (57,8%). Os bens de consumo semiduráveis tiveram avanço de 28,2%.

 

Por Vitor Abdala – Repórter da Agência Brasil

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